Manifesto Social 2050

or Social Manifest 2050

A Fisioterapia encontra-se num limiar crítico. Durante décadas, aceitámos a docilidade de um papel técnico, operando sob um olhar clínico que fragmenta o ser humano em peças avariadas, reduzindo o corpo a uma máquina que precisa de ser reparada para voltar rapidamente à engrenagem da produtividade. Vivemos a exaustão de um modelo biomédico que, na sua obsessão pela cura do tecido, se esqueceu da pessoa.

Será este o único caminho? A perpetuação de técnicos invisíveis numa sociedade do desempenho que adoece os cidadãos e depois exige que os devolvamos, silenciosos e funcionais, ao mesmo sistema que os consome? E não estará a nossa imagem a ser corroída pela fuga para o misticismo e para as pseudociências que vendem ilusões?

O verdadeiro poder da profissão reside, sim, num corpo de conhecimento rigoroso, despido de crenças infundadas e alicerçado na evidência. Só a verdade científica nos liberta da subserviência hierárquica. A técnica é vital, mas não pode ser o único horizonte.

Neste contexto, o Fisioterapeuta Social emerge como uma rutura necessária. O território clínico deixa de ser um espaço fechado de reabilitação mecânica para se tornar um observatório social.

O fisioterapeuta tem agora a liberdade de se assumir como Arquiteto Social, capaz de ler as falhas da anatomia social e intervir não apenas na consequência, mas na causa política e urbana do sofrimento. O objetivo é claro: atribuir à Fisioterapia uma matriz social ativa, devolvendo-lhe a dignidade intelectual e o poder de transformar o mundo.

por João Amendoeira Peixoto