
O construto “Fisioterapia Social” resulta de um longo processo de inquietação intelectual e investigação rigorosa durante a construção da minha tese de doutoramento (2018-2024) Medicina e Património Cultural em Tomar: o caso do Dr. José Vieira da Silva Guimarães (1864-1939).
O estudo da vida e obra do médico Dr. Vieira Guimarães (1864-1939) levou-me a dissecar arquivos e obras antigas, e a aprofundar o conhecimento sobre a origem da Medicina contemporânea e o seu respetivo poder na sociedade. Este tema fascinou-me. Principalmente quando descobri Michel Foucault e iniciei uma caminhada sobre a história de Tomar, durante o século XIX, que me permitiu refletir sobre a explicação deste filósofo francês acerca da sua designada Medicina Social.
Simultaneamente, na minha leitura de refúgio, a obra de David Nicholls, The End of Physiotherapy (2017), alertou-me para o facto de os fisioterapeutas não conhecerem a sua própria História e permanecerem submersos nos limites do modelo biomédico tradicional.

Mais do que isso, considerei, num único pensamento, que os fisioterapeutas necessitam de entender igualmente como surgiu o bem-sucedido poder da Medicina.
E como tal, é de estudar o caso do Dr. Vieira Guimarães.

O poder social que Vieira Guimarães recebe, ainda enquanto aluno de Medicina, é explicável pela história oitocentista da sua terra natal, Tomar, através do meu encontro com Foucault e a sua Medicina Social. Esta foi a luz necessária que preencheu e permitiu perceber o agente social que é Vieira Guimarães, um ser multifacetado revestido de poder.
É na convergência de conhecimentos, maturada entre 2022 e 2025 — entre a filosofia, a história da medicina e o pensamento crítico contemporâneo — que nasce a designação. A Fisioterapia Social, da forma como é apresentada, é a resposta a essa jornada: uma proposta que apela o fisioterapeuta a ser um Agente Social de Transformação.


